Responsáveis pela segurança sanitária dos animais que participam da Expointer, os Fiscais Estaduais Agropecuários do Rio Grande do Sul recebem apenas meia diária para trabalhar na maior feira agropecuária a céu aberto da América Latina. Além disso, o valor pago está congelado desde dezembro de 2022, acumulando uma defasagem de 18,9% em relação à inflação (IPCA) do período.
Uma diária cheia corresponde a R$ 245,68 para eventos em Porto Alegre e R$ 201,02 para eventos no Interior do Estado. Apesar dos preços exorbitantes praticados na exposição de Esteio, os servidores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) recebem meia diária de interior, que corresponde a R$ 100,51 – quantia que precisa dar conta de suprir três refeições diárias: café da manhã, almoço e janta.
“O valor da meia diária não é condizente com a realidade dos preços praticados no Parque Assis Brasil. É insuficiente para garantir as refeições durante os dias de evento. Os servidores acabam tendo que arcar com uma parte dos custos com alimentação para trabalhar na feira”, explica o presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários do RS (Afagro), Giuliano Suzin.
O presidente da Afagro ressalta que a meia diária desmotiva os colegas a atuarem na Expointer. A reivindicação da entidade é que o Estado pague uma diária cheia e que os valores sejam corrigidos anualmente pela inflação. Assim, ressalta Suzin, será possível assegurar condições adequadas de trabalho para os servidores da fiscalização agropecuária, atividade essencial para a credibilidade de um dos maiores eventos do setor no Brasil.
Esta demanda já foi levada pela Afagro, mais de uma vez, aos secretários da Agricultura desde 2025, mas a associação não teve retorno.
Defasagem
Levantamento realizado pela Afagro com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que a diária dos servidores do Poder Executivo para eventos no interior do Estado deveria ser de R$ 239,08 em valores corrigidos pela inflação até junho de 2026. Contudo, a defasagem real é ainda maior, pois o índice utilizado no cálculo reflete a inflação média nacional, sem considerar o aumento sazonal dos preços durante a feira.
Na avaliação da Afagro, esta é uma situação contraditória. “Enquanto a Expointer movimenta bilhões de reais em negócios, recebe expositores e visitantes de diversos estados e países e projeta internacionalmente o agronegócio gaúcho, os servidores responsáveis pela segurança sanitária do evento precisam custear parte das despesas com recursos próprios”, pontua Suzin.
A última atualização dos valores ocorreu por meio da lei estadual nº 15.902/2022, com efeitos a partir de 1º de dezembro daquele ano.
Foto: Bruna Karpinski
