Em tempos de IA, especialista humano ainda é o ativo mais valioso

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“A inteligência artificial (IA) não vem como uma ferramenta para substituir o trabalho de ninguém. No contexto da defesa sanitária, a IA vem muito mais como uma ferramenta de apoio do que de substituição. O fiscal tem que ter a decisão final.” A afirmação foi do pesquisador do Laboratório de Computação Ubíqua, Móvel e Aplicada (Lumac) da UFSM, Pedro Bilar Montero, em seminário realizado pela Associação dos Fiscais Agropecuários do RS (Afagro) nesta quinta-feira (25/6), em Porto Alegre.

Mestrando em Ciência da Computação, Montero falou sobre padrões e modelos de aplicação da inteligência artificial, ressaltando a importância de haver uma sinergia entre a IA e o especialista humano, que é indispensável. Por outro lado, os palestrantes convidados pontuaram que o avanço do uso da inteligência artificial poderá acarretar em maior sobrecarga, precarizando as condições de trabalho e gerando uma disputa política. Também foi consenso a importância de regulamentar o uso da inteligência artificial.

Coordenador do Lumac, Vinícius Maran falou sobre a expansão da Plataforma de Defesa Sanitária Animal (PDSA), desenvolvida pela UFSM para o Serviço Oficial do Rio Grande do Sul, que deve “dobrar de tamanho”. Uma das novidades é a inclusão da área vegetal na ferramenta. Os primeiros testes já estão sendo realizados, a partir da confirmação do greening no Estado. Desde o lançamento do sistema, durante a enchente de 2024, o sistema focava somente na área animal. Nestes dois anos, a PDSA já soma 2.772 certificados de granjas e 6.820 processos de registro e atualização de granjas.

O engenheiro agrônomo Luiz Felipe Diaz de Carvalho, professor associado do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), discorreu sobre o uso de drones como uma ferramenta de gestão e tomada de decisões que agiliza, materializa e documenta rapidamente as ações, como por exemplo nos casos de deriva do 2,4-D e do greening. “Isso coloca o fiscal em outro patamar, principalmente porque evita confrontos e hostilizações que são comuns na atividade”, salientou sobre a segurança de realizar ações remotamente em situações de risco com o uso de drones.

Segundo o agrônomo, mesmo diante das inovações tecnológicas, os fiscais ainda são o ativo mais valioso, pois detêm a “inteligência natural” – termo utilizado como o oposto da inteligência artificial. O professor também falou a respeito dos desafios futuros da tecnologia. “O campo de utilização ainda é muito tímido. Temos bastante para avançar”, afirmou.

O médico veterinário Daniel Magalhães Lima, consultor técnico em Epidemiologia do Centro Panamericano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa), apresentou dados que evidenciaram como a informação de qualidade ajuda o Serviço Veterinário Oficial a se preparar para emergências. Em palestra sobre o tema Análise de dados em saúde agropecuária, o especialista fez um apanhado sobre enfermidades que assolam animais na atualidade, abordando análise de risco e suas tipologias. Por fim, o consultor técnico pontuou os desafios em análise de dados.

O seminário foi realizado no Auditório da Emater, marcando o Dia do Fiscal Estadual Agropecuário (25/6). O presidente da Asgav, José Eduardo dos Santos, e o secretário da Agricultura, Márcio Madalena, prestigiaram a abertura do evento, que contou com a presença de 50 participantes entre associados e convidados.

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